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Aos novos desafios da educação tem de corresponder um novo conceito de autonomia, uma “autonomia no plural”. Ideia que implica a criação, em cada território, de uma verdadeira rede de escolas.

 

Aos novos desafios da educação tem de corresponder um novo conceito de autonomia, uma “autonomia no plural”. Ideia que implica a criação, em cada território, de uma verdadeira rede de escolas.


Quantas vezes ouvimos que a Escola atual, tendo de preparar alunos do e para o século 21, necessita de mudanças urgentes e profundas?

A necessidade de uma mudança de paradigma na maneira de ensinar e aprender decorre da consciência, que em maior ou menor grau temos, da crise global da aprendizagem. Esta necessidade de repensar a educação, decorrente dos impactos sociais e tecnológicos do nosso tempo, tem sido uma preocupação de organizações internacionais como a UNESCO e a OCDE. “Que educação necessitamos para o século XXI? Qual é o propósito da educação no atual contexto de transformação social? Como se deveria organizar a aprendizagem?”, são algumas das questões levantadas a partir da consciência e análise dos atuais desafios sociais bem como do papel decisivo dos jovens na iniciativa de levar os seus países a agir, impedindo o acelerar da degradação do planeta.

Perante esta crise de desenvolvimento e sustentabilidade, tal como propõe o documento de reflexão Escola Nova 21 (Catalunha), de 2017, a educação precisa de “Fomentar experiências de aprendizagem relevantes, gratificantes e empoderadoras que revertam numa sociedade mais coesa e capaz de responder aos desafios globais, formando cidadãs e cidadãos livres e responsáveis”.

Para esta nova missão da educação, precisamos também de uma nova ideia de escola: “Uma escola inclusiva, promotora de melhores aprendizagens para todos os alunos e a operacionalização do perfil de competências que se pretende que os mesmos desenvolvam, para o exercício de uma cidadania ativa e informada ao longo da vida, implicam que seja dada às escolas autonomia para um desenvolvimento curricular adequado a contextos específicos e às necessidades dos seus alunos.” (Preâmbulo do DL nº55/2018, de 6 de julho).

A principal finalidade da autonomia das escolas tem de ser garantir a eficácia e a equidade do serviço público de educação e a melhoria do seu funcionamento para potenciar a melhoria das aprendizagens e dos resultados de todos os seus alunos.

Ora, um novo conceito de conhecimento exige um outro conceito e modelo de escola. Já não faz sentido um trabalho isolado das escolas. As escolas não podem continuar a “pensar e agir sozinhas”: será difícil (impossível?) a uma escola, isoladamente, enfrentar o desafio da profunda transformação educativa em curso. Tão importante como termos consciência do que é trabalhar como um ecossistema fechado, é saber como colaborar de uma forma que as escolas façam mais do que apenas explicar a sua maneira de trabalhar umas às outras.

É absolutamente crucial combater a individualização e promover sinergia colaborativa. Todos no interior da escola constatamos o quão difícil é enfrentar isoladamente o desafio de transformar profundamente a educação. É por isso urgente um modelo de autonomia das escolas que promova a criação de “redes de mudança” em cada território.

Hoje, as redes são decisivas para a inovação e o desenvolvimento em qualquer campo da atividade humana. O trabalho em rede permite cooperação, interação, reciprocidade e compartilhamento de implicação. Aos novos desafios da educação e da escola tem necessariamente de corresponder um novo conceito de autonomia, uma “autonomia no plural”. Ideia que implica a criação, em cada território, de uma verdadeira rede de escolas.

“Rede de mudança” que, para iniciar um movimento de transformação da educação no seu território, pressupõe, em primeiro lugar, o compartilhamento de um objetivo comum de mudança, envolvendo tanto escolas públicas como privadas.

É este o desafio que abraçamos atualmente em Cascais. O projeto Escola iNova 2025 Cascais, promovido pela Câmara Municipal de Cascais, em articulação com escolas públicas e privadas do concelho e com o apoio técnico de especialistas da Catalunha, tem como finalidade reunir e catalisar vontades das instituições e agentes educativos do município para a transformação educativa, criando um movimento credível, sustentável e duradouro de renovação das práticas pedagógicas, por forma a assegurar uma Educação de Qualidade para Todos.

Diretor do Agrupamento de Escolas Frei Gonçalo de Azevedo, Cascais. Vice-presidente da ANDAEP (Associação Nacional de Diretores de Agrupamentos e Escolas Públicas) – as opiniões manifestadas neste artigo são pessoais e não vinculam a ANDAEP.


David Sousa
Vice presidente da Andaep

Observador
26 Mar 2020
https://observador.pt/opiniao/uma-escola-para-o-nosso-tempo

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