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O dia 9 de abril afigura-se uma espécie de Dia D para as escolas, com o governo a anunciar as decisões (todas?) para o 3.º período letivo. Num mar de imensas incógnitas, onde se tem necessariamente navegado à vista, impera a certeza de que, a 14 de abril, o decurso das atividades letivas não presenciais ocorrerá em moldes muito semelhantes aos das últimas 2 semanas do período passado.

As comunidades educativas encontram-se expectantes, aguardando o veredicto governamental que surgirá após terem sido ouvidos os "técnicos, epidemiologistas, a Direção-Geral da Saúde, os líderes políticos e os parceiros sociais", assim como os órgãos consultivos do ministério da Educação. 

"As escolas são espaços
físicos com assinalável taxa
de concentração de
população jovem."


Salvo melhor opinião, antevejo que esta decisão focar-se-á, inevitavelmente, em dois eixos prioritários: a Saúde e os exames finais nacionais do ensino secundário.

A luta diária que abraçamos em defesa da saúde de todos, a nível pessoal, nacional e mundial, não concebe que no-la levem a colocar em causa. Um pensado regresso dos nossos alunos, professores e funcionários, e demais membros das comunidades educativas, ao local que tanto estimam - a escola - exige que a segurança de todos esteja acautelada, determinando a inexistência do mínimo sinal de perigo de contágio para aqueles que a frequentam, e, consequentemente, para os que com eles convivem. As escolas são espaços físicos com assinalável taxa de concentração de população jovem, valendo a pena refletir sobre o conceito tradicional de sala de aula (alunos sentados 2 a 2, lado a lado, na mesma mesa) e que nos leva a questionar se, no futuro, este resistirá à pandemia.

Os 11.º e 12.º anos de escolaridade estão sujeitos a exames nacionais para a prossecução de estudos. Confesso crítico da ponderação dos resultados destes exames, assim como do modelo de acesso ao ensino superior, considero que se revestem de uma importância excessiva, se considerarmos que contribuem com 30% para a nota final das disciplinas em que são obrigatórios, valendo entre 35% a 50% no cálculo da nota de candidatura ao ensino superior. 

"Se o primeiro-ministro se
tivesse ficado "apenas" por
ouvir os especialistas, talvez
tivéssemos concluído o 2.º
período nas escolas."


Este ano, a 1.ª fase decorrerá de 15 junho a 7 de julho e a 2.ª fase de 21 a 27 de julho. E como é compreensível, os alunos que irão realizar estas provas respiram ansiedade e angústia, tantas são as indefinições do momento. A consideração por esta franja de discentes, cujas expectativas, naturalmente, não poderão ser defraudadas, convoca à tranquilidade, à clarificação de procedimentos, independentemente das datas definidas para o efeito.

Se o primeiro-ministro se tivesse ficado "apenas" por ouvir os especialistas, talvez tivéssemos concluído o 2.º período nas escolas. No atual cenário de eventos, o 3.º período terá o seu início com os alunos e os professores em casa, aguardando indicações superiores, que se desejam sensatas e, por isso, seguras.

 

* Professor; diretor; presidente da Associação Nacional de Diretores de Agrupamentos e Escolas Públicas.

 

TSF
05 Abril, 2020 • 23:14

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